COSME VELHO



História do Cosme Velho

O Cosme Velho é um bairro nobre da Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro, situado no sopé do Morro do Corcovado e do Morro de Dona Marta, ocupa a parte mais alta do vale do Rio Carioca. Foi conhecido até a primeira metade do Século XX como região das "Águas Férreas", os bondes e ônibus tinham esse destino. Atualmente, o nome Águas Férreas é apenas uma lembrança, já que o nome do bairro foi totalmente incorporado ao conhecimento da população.

O nome do bairro é uma homenagem a Cosme Velho Pereira, comerciante português da antiga rua Direita, atual rua Primeiro de Março. No século XVI, o comerciante habitava a parte mais alta do Vale do Carioca, no caminho para o Corcovado. Sua chácara era banhada pelo Rio Carioca. Após sua morte, sua chácara foi loteada e ali passaram a viver alguns nobres da corte. Tem como rua principal a Rua Cosme Velho, que é a continuação da Rua das Laranjeiras.

O Bairro do Cosme Velho, assim como Laranjeiras se desenvolveram às margens do Rio Carioca, desde 1567, quando as terras da região foram doadas em sesmaria aos membros da família paulista do patriarca Cristóvão Monteiro, que abriram roças, edificaram casas e até um moinho de vento para beneficiamento dos cereais colhidos em suas plantações. No século XVII teve início a captação das águas do Rio para abastecimento da cidade e no século XX, o Rio foi coberto, restando dele alguns trechos a céu aberto, como podemos ver no Largo do Boticário. A importância do Rio Carioca foi fundamental, como fonte abastecedora de água potável para o Rio de Janeiro.

O Cosme Velho é um bairro marcado pelo passado, tanto pelos monumentos históricos como pela memória dos moradores ilustres. Foi endereço de artistas, escritores e compositores como Machado de Assis, Manuel Bandeira, Euclides da Cunha, Austregésilo de Athayde, Alceu Amoroso Lima, Cecília Meireles, Jorge Mautner e muitos outros. Também é um ponto turístico importante, pois nele se localiza a primeira estação do Trem do Corcovado, que leva os turistas a visitar o Cristo Redentor.

Os bondes elétricos foram instalados pela Companhia Jardim Botânico e íam até ao local conhecido como a Bica da Rainha no Cosme Velho, tinha este nome porque era freqüentada pela Rainha D. Maria I e sua nora D. Carlota Joaquina, mãe e esposa de D. João VI..

Dois importantes locais do Bairro são: o Solar dos Abacaxis, um casarão em estilo neoclássico datado de meados do século XIX e o Largo do Boticário composto de sete casas de estilo neocolonial construídos na primeira metade do século XX. As casas foram construídas com material utilizado em construções do centro da cidade, que foram demolidas. No largo podem ser apreciados o Rio Carioca a céu aberto e a espessa vegetação de Mata Atlântica. Na entrada do Largo, há duas casas da primeira metade do século XIX.


A primeira é uma vista do Bairro do Cosme Velho tirada do Morro do Corcovado, podendo se ver a Igreja de São Judas Tadeu e
parte do Bairro de Laranjeiras. A segunda mostra a entrada do Túnel Rebouças, na parte que liga o Cosme Velho à Tijuca, podendo
ser visto o trecho que separa os dois túneis, em foto tirada do Mirante Dona Marta.

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O Bairro do Cosme Velho

Vistas da Praça Cosme Velho localizada ao lado
da Estação da Estrada de Ferro Corcovado, onde
se pega o trem que vai até o alto do Morro
do Corcovado.

A primeira foto é uma outra vista da Praça Cosme Velho e a segunda do Solar dos Abacaxis, palacete em Estilo Néo-Clássico, erguido
em 1850, pelo arquiteto José Maria Jacinto Rebelo, possuindo nas sacadas uma decoração com abacaxis. Foi residência do historiador
Marcos Carneiro de Mendonça.

As duas fotos mostram um trecho da Rua Cosme Velho
próximo da Igreja de São Judas Tadeu.

Paróquia de São Judas Tadeu do Cosme Velho

A Paróquia São Judas Tadeu foi fundada em 1o de janeiro de 1945, quando o Cardeal Dom Jaime de Barros Câmara, era Arcebispo da Cidade e celebrava seu jubileu de prata sacerdotal. Antes a região pertencia à Matriz de Nossa Senhora da Glória, do Largo do Machado. A Paróquia foi criada tendo como Pároco o Padre Luiz Gonzaga de Campos Góes, mas não possuía uma igreja, por isto suas missas eram celebradas na casa do Sr. João Xavier de Brito, um devoto residente na região.

O Padre Góes, conhecido por seu dinamismo começou a promover a devoção a São Judas Tadeu, e incentivou a compra de um prédio na Rua Cosme Velho ao lado de uma casa conhecida como "Casa do Médico", onde havia uma capela dedicada a São Lucas padroeiro dos médicos e nela passou a ser feita a celebração dos cultos. O prédio foi demolido e foi lançada a pedra fundamental da Igreja pelo Cardeal Dom Jaime de Barros Câmara, a 30 de de novembro de 1952. Teve início então a luta para obtençao dos recursos para a construção da Igreja.

O projeto do prédio foi elaborado pelo Arquiteto Benedito de Jesus Calisto Netto e a obra foi conduzida pelo Engenheiro Alberto Woods Soares. A Igreja foi oficialmente inaugurada no dia 28 de dezembro de 1968, pelo Cardeal D. Jaime de Barros Câmara. Sua localização em frente a Estação da Estrada de Ferro do Corcovado e a suntuosidade de seu prédio fizeram da Igreja um ponto de atração turística da cidade.


Estrada de Ferro do Corcovado

A atração por aquele pico que que ficava lá na Serra da Tijuca, teve início com D. Pedro I, que em 1823, abriu uma picada até o cume do morro e lá mandou construir um abrigo de madeira e palha em forma de chapéu, para abrigar do sol. Em 1873, D. Pedro II que apareciava trilhas subiu o Morro do Corcovado junto com sua esposa D. Teresa Cristina em lombo de burro e mandou construir no local um mirante de ferro que foi denominado de Chapéu de Sol.

Em 1882 foi iniciada a construção da Estrada de Ferro Corcovado que foi inaugurada pelo Imperador D. Pedro II em 9 de Outubro de 1884, seu trecho inicial ia até as Paineiras, o hotel foi inauguradoi no mesmo dia. No ano seguinte a Estrada foi estendida até o Corcovado. Portanto a Estrada é mais antiga que o Monumento do Cristo Redentor, que foi aberto a visitação em 1931. A Estrada de Ferro serviu para levar para o alto do Morro do Corcovado as peças para a montagem da Estátua do Cristo durante quatro anos. O Estrada tem seu início no Bairro do Cosme Velho e segue até o cume do Corcovado, a uma altitude de 710m. Esta foi a primeira Estrada de Ferro construída no Brasil para fins turísticos e a concessão de serviço foi dada aos Engenheiros Francisco Pereira Passos e João Teixeira Soares.

Inicialmente foi utilizada na Estrada uma locomotiva de tração a vapor e em 1910 foi instalado um sistema de tração elétrica. Em 1980 a linha foi modernizada com a compra de trens da empresa SLM, sediada na cidade de Winterthurna Suíça. A linha possui 3.824 km de extensão, utiliza quatro trens, cada um com dois vagões. O trajeto é completado em cerca de 20 minutos, sendo que um trem parte a cada meia hora, o que dá ao sistema uma capacidade de transporte de 345 passageiros por hora. A linha férrea do Corcovado é uma das poucas que ainda utilizam um sistema elétrico trifásico, possuindo dois cabos aéreos. O sistema utiliza bitola métrica e o raio mínimo de curva é 100 metros.

A Estrada possui cinco Estações: a primeira é a histórica Estação do Cosme Velho, ponto de partida do Trem do Corcovado; a segunda a Estação de Morro Inglês, só utilizada por moradores da região; a terceira a Estação Silvestre que fica no Bairro de Santa Teresa; a quarta a Estação das Paineiras, onde os passageiros podem desembarcar para apreciar as belezas do Parque Nacional da Tijuca e a quinta a Estação Cristo Redentor, estação terminal da linha que fica a 710 metros de altura, parada onde os turistas podem desembarcar para acessar a famosa Estátua do Cristo Redentor e sua indescritível vista da cidade do Rio de Janeiro.


No Bairro do Cosme Velho fica localizada a Estação principal da Estrada de Ferro do Corcovado, atualmente conhecida como Espaço Cultural Trem do Corcovado. Nela se pega o trem que vai até o alto do morro. As três fotos mostram a Estação Cosme Velho e o trem que faz o trajeto.

A primeira foto acima mostra o bilhete para viagem de
trenzinho de ida e volta, a segunda mostra o Trenzinho na
Estação, de embarque. As três fotos seguintes foram
tiradas durante a subida do Trenzinho para o Corcovado e
mostram a mata que cerca a Estrada.

As quatro fotos foram tiradas durante a descida do Trenzinho. A primeira é uma vista do Trenzinho e a mata ao redor da Estrada,
a segunda um trecho da Estrada das Paineiras, a terceira o Hotel das Paineiras ainda em obras e a quarta a Estação das Paineiras.





Mapa localizando o acesso ao Morro do Corcovado. O caminho em roxo sinaliza a Estrada das Paineiras que tem
acesso por Santa Teresa e se encontra com a Estrada do Corcovado fazendo o caminho para se chegar de carro ao Cristo.
A linha escura sinaliza o trajeto do Trem do Corcovado que sai do Cosme Velho e vai até o Cristo Redentor.

Largo do Boticário

O Largo do Boticário, se constitui um recanto bucólico do Rio de Janeiro, rodeado pela floresta e pelo Rio Carioca, porque é um dos pontos em que ainda se pode observar o rio, que corre a céu aberto nesta área. O Largo com suas casas em Estilo Neocolonial, foram construídas na década de 20 do século XX, usando material autêntico colonial, retirados de demolições da região do Centro do Rio, como pórticos de granito extraído do Morro da Viúva e da pedreira da Candelária e portas de Igrejas, por iniciativa de Edmundo Bittencourt. Para se chegar ao Largo atravessa-se o Beco do Boticário, uma estreita ruela com duas casas, que são as únicas construções mais antigas do local, remontando à época de início do Largo que existe desde 1831. Nos anos 20, o calçamento pé-de-moleque foi substituído, pelo Prefeito Antonio Prado, pelas atuais lajes de pedra.

O Largo deve seu nome a Joaquim Luís da Silva Couto, conhecido como Boticário, dono de uma Botica na Rua Direita, hoje Primeiro de Março, que adquiriu terras no Cosme Velho. A paisagem hoje existente foi obtida nos anos 40, com a reforma de algumas casas, pelo arquiteto Lúcio Costa, que também utilizou material de demolição. Numa das casas do Largo morou a crítica de teatro Bárbara Eliodora. O Largo do Boticário é um local freqüentado por turistas e estudantes interessados na arquitetura local. Uma das casas do local possui um musharabi, que era muito utilizado nos países árabes, fechando as janelas, para que as mulheres pudessem ver a rua sem ser vistas, foram muito utilizados na Espanha e em Portugal, mas foram proibidos no Brasil por D. João VI, porque achava que poderia ocultar algum assassino disposto a matá-lo.

Vistas das casas do Largo do Boticário

As duas primeiras fotos mostram casa com o musharabi, de origem árabe.

Vistas do Rio Carioca no Largo do Boticário




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