História do Bairro - Jardim Botânico

Tão logo Portugal foi invadido pelos franceses, a Família Real transferiu-se para o Rio de Janeiro, isto em 1808. O Príncipe Regente, que mais tarde se chamaria D. João VI, resolveu fundar uma Fábrica de Pólvora à altura da cidade para onde se deslocara, para isto comprou o engenho que tinha pertencido a Rodrigo de Freitas.

Em 13 de junho de 1809, o Príncipe Regente mandou preparar um Jardim de Aclimatação, próximo da Fábrica de Pólvora, para a introdução de especiarias das Índias Orientais, com isto estava plantando o que seria a semente para o surgimento do atual Jardim Botânico do Rio de Janeiro, que anteriormente teve os nomes de Real Horto e Real Jardim Botânico. As primeiras espécies vindas do estrangeiro, aqui chegaram trazidas por Luiz de Abreu Vieira e Silva, que as presenteou a D. João, que mandou plantá-las no Real Horto. O regente desejando estimular a aclimatação e a cultura de especiarias exóticas, instituiu recompensas e medalhas aos que cultivassem estas plantas e isentou de taxas alfandegárias as fazendas que importassem materiais para este cultivo. Assim que D. João foi coroado Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, aumentou o Real Horto e mudou sua denominação para Real Jardim Botânico, anexando-o ao Museu Real.

O apoio dado por D. João VI ao Real Jardim Botânico, cessou com seu embarque para Portugal, em 25 de abril de 1821, a chamado das Cortes de Portugal, porém a continuação de sua obra foi realizada por D. Pedro I. Ele desvinculou o Jardim Botânico do Museu Real, subordinando-o ao Ministério do Interior, que depois passou a ser chamado Ministério do Império. O Real Jardim Botânico era inteiramente privado. Com D. Pedro I, foi franqueado ao público, mas era necessária uma autorização do seu Diretor e assim mesmo, os visitantes o percorriam, acompanhados por praças do corpo de veteranos.

Em 1826, a Fábrica de Pólvora foi transferida para a Vila Inhomirim, após uma explosão, com o nome de Fábrica da Estrela. Na administração de Frei Leandro do Sacramento, que foi o terceiro Diretor da instituição, entre 1824 e 1829, o local começou a tomar as feições que tem atualmente, com ao traçado das aléias e das quadras internas.

Em 1832, já na administração de Bernardo José de Serpa Brandão, os prédios e oficinas da Fábrica de Pólvora passaram para à jurisdição do Jardim Botânico e no ano seguinte, os arrendamentos dos terrenos vizinhos foram anulados. A expansão e melhoria do Órgão, tiveram continuação a partir de 1851, com a nomeação do Senador Candido Baptista de Oliveira, o antigo portão de madeira foi substituído por um mais elegante, que em 1893 deu lugar também a outro com entrada mais ampla e alta. Foram construídas pontes e valetas para escoamento da água da chuva, reparada a canalização e completada com um aqueduto, no vale da Margarida, local que recebeu este nome devido a grande quantidade desta flor existente nas proximidades.

Com a passagem do Jardim Botânico para a subordinação do Instituto Fluminense de Agricultura, o Dr. Custódio Alves Serrão conhecido como Frei Custódio, que na época o administrava, desgostou-se e pediu demissão do cargo. Em 1863 foi contratado em Viena, o Professor Karl Glasl, que veio a ser Diretor do Jardim Botânico. Em sua administração foram embelezados os canteiros, colocados bancos, mesas e construída uma gruta. Com isto e aos poucos, o Jardim foi sendo cada vez mais procurado pelo público, por ter se transformado em lugar tranqüilo e acolhedor.

Novo período de realizações teve início a partir de 1934, quando o Dr. Paulo de Campos Porto, neto de João Barbosa Rodrigues, administrou o Jardim até 1938 e posteriormente, entre 1951 a 1961. O parque foi remodelado, atentando para a parte estética, enriqueceu as coleções de plantas, realizou exposições e congressos. Em 1975, teve início a administração do Dr. Osvaldo Bastos de Menezes e apesar das dificuldades que encontrou para obtenção de verbas realizou uma grande reforma na biblioteca, modernizando-a, equipando-a com novas publicações, que atualmente consta de 29.000 volumes, atualizou a publicação da Revista Rodriguésia, aumentando o número das mesmas, instituiu a realização mensal de seminários, deu continuidade à recuperação das áreas ocupadas do Jardim Botânico.

A área do Jardim Botânico é de 1.370.000 m2, fazendo parte do parque 540.000 m2, com aproximadamente 40.000 plantas. Em área pertencente ao Jardim Botânico, mas fora do parque propriamente dito, encontramos uma residência que pertenceu a D. Amélia Napoleona de Leuchtemberg, segunda Imperatriz do Brasil, imóvel este que foi ao longo do tempo bastante adulterado externa e internamente, possuindo uma capela e uma senzala. Este imóvel foi recentemente restaurado.

Um dos motivos de emoção para seus visitantes é a visão do tronco da Palma Mater, plantada por D. João VI em 1809, que foi atingida por um raio em 1972, ocasionando sua morte. Devido a isso parte de seu tronco encontra-se guardado como preciosa relíquia na entrada do edifício da administração, da mesma forma que, a placa de mármore partida nessa ocasião pela faísca elétrica.

Ao longo de toda sua existência, o Jardim Botânico tem recebido visitas de reis, rainhas, príncipes, presidentes, deste e de outros países, ministros de estado, representantes do clero, autoridades civis e militares, gênios da ciência, pesquisadores, visitantes ilustres e amantes da natureza. O Jardim Botânico possue palmeiras plantadas por ilustres personagens entre elas, as plantadas pelos Presidentes Getúlio Vargas e Juscelino Kubistchek.


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O Bairro do Jardim Botânico

No Século XVI existiam algumas fazendas e engenhos localizados no Jardim da Gávea, que englobava os atuais bairros da Gávea, Jardim Botânico e Lagoa.

Em 01 de janeiro de 1871 a Companhia de Ferro Carril do Jardim Botânico, empresa que recebeu a primeira concessão para serviço de bondes de burro da cidade, estendeu suas linhas até o atual Bairro do Jardim Botânico e permitiu pela primeira vez a ligação do Centro ao Largo das Três Vendas, atual Praça Santos Dumont, onde tinha ponto final, percorrendo uma extensão de 13 Km.

Em 1920, o Jardim Botânico perdeu uma grande área para a construção do Jockey Clube Brasileiro e deixou de se estender até a Lagoa Rodrigo de Freitas.



A Rua Jardim Botânico

Rua Jardim Botânico, com o bondinho puxado a burro, que
começou a funcionar na região em 1871. Foto de Marc Ferrez.

Rua Jardim Botânico atualmente

O Restaurante Rubaiyat


O Restaurante Rubaiyat é uma importante rede de
restaurantes do Brasil e do exterior, mas apenas em
2014 teve sua primeira filial aberta no Rio de Janeiro
na Rua Jardim Botânico, com uma vista privilegiada
de um varandão que descortina o Jockey Clube e a
Lagoa Rodrigo de Freitas. As fotos foram tiradas,
da vanda do Restaurante.



As duas primeiras fotos mostram o Cristo Redentor
visto do restaurante, as quatro fotos em seguida mostram
em primeiro plano a pista de corrida do Jockey Clube e
em segundo plano prédios das Avenidas Epitácio
Pessoa e Borges de Medeiros.







As quatro fotos mostram a pista de corrida do Jockey Clube e o relevo ao longo da Avenida Epitácio Pessoa, podendo
se ver os Morros da Saudade, dos Cabritos e do Cantagalo. A última foto mostra uma ampla vista do Jockey e ao longe
o Morro do Cantagalo.



O Lar da Imperatriz





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O Jardim Botânico

Carramanchão de Pedras Coberto de Samambaias


Lago e Carramanchão Frei Leandro do Sacramento, 3o Diretor do Jardim Botânico










Carramanchão com o busto de Frei
Leandro do Sacramento, que foi um
dos mais importantes Diretores que passou
pelo Jardim Botânico. A pessoa que se
vê na foto abaixo é a autora deste trabalho.





Riachos que correm por dentro do Jardim Botânico






Outros locais do Jardim Botânico


Existe no Jardim Botânico, uma casa, onde estavam localizadas as máquinas da Fábrica de Pólvora. Nesta casa foram feitas
escavações com o objetivo de mostrar como eram as construções anteriores, as duas fotos acima mostram estas escavações, que hoje
podem ser visitadas pela população. O quadro que se vê abaixo, restaurado, também se encontra numa das paredes desta casa.



Busto de Saint Hilaire.

Acima é mostrado o Lago com a Cabana Indígena, que não
mais existe, a foto foi tirada em 1987. Ao lado pode se ver
o Lago no centro do qual está a escultura da Mulher com a
Cornucópia, que simboliza a abundância do comércio e da
agricultura. A escultura foi fabricada em ferro fundido,
nas fundições do Vale D'Osne, na região do Haute-
Marne, na França.




Passarela Circular.




Caminho que percorre todo o Jardim e outro lago.


Crianças brincando nos jardins, no chápeu de palha.

Vista do Morro do Sumaré, tirada do Jardim Botânico.
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O JARDIM BOTÂNICO E SUA RELÍQUIAS
 




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