História do Bairro - Leblon

A nome Leblon, teve sua origem numa chácara pertencente ao francês Charles Le Bron que existia no local em meados do Século XIX. O nome da chácara do Sr. Le Bron, passou a designar um quilombo que se instalou no local ao final do Século XIX e depois deu nome ao bairro.

Em 1918, foi feita uma ponte sobre a barra da Lagoa ligando as Avenidas Vieira Souto, em Ipanema e a Delfim Moreira, no Leblon. Em 1920 o Prefeito Carlos Sampaio, realizou o saneamento e embelezamento da Lagoa, a construção da Epitácio Pessoa e de dois canais distintos: o da barra comunicando a Lagoa com o mar, que hoje é o Jardim de Alah e do canal da Avenida Visconde de Albuquerque, no final do Leblon.

Em 1938 foi construída outra ponte sobre o canal ligando as duas Avenidas: Visconde de Pirajá à Avenida Ataulfo de Paiva e começou a circulação de bondes pela praia, fazendo com que as duas avenidas passassem a ser uma única via pública.


Vistas do Bairro do Leblon tiradas do Parque Nacional da Tijuca


As duas primeiras fotos foram tiradas da Vista Chinesa, na primeira aparece em primeiro plano o prédio no meio do qual passa a Auto-Estrada Lagoa-Barra, na Gávea, na segunda os prédios do Bairro. As quatro fotos seguintes foram tiradas do alto do Morro do Corcovado aparecendo nelas de alguma forma a Lagoa Rodrigo de Freitas e o Jockey Club Brasileiro, nas duas primeiras vemos o Morro dso Dois Irmãos. Em duas delas pode se ver o Jardim de Alah que separa os Bairros de Ipanema e do Leblon. As duas últimas fotos foram tiradas da Estrada do Sumaré e mostram o Bairro do Leblon.






O Caminho do Quilombo do Leblon

Após 1880, a Campanha Abolicionista no Rio de Janeiro, já havia alcançado as ruas e por toda parte surgiam campanhas e movimentos destinados a incentivar a Abolição dos Escravos. Nesta época ocorreu a criação de muitos Quilombos Abolicionistas, que de forma diferente do Quilombo tradicional, que procurava lugares distantes para se esconder, buscava a sobrevivência se instalando próximo das cidades.

No Rio de Janeiro foi formado, então, o Quilombo do Leblon, que teve como seu idealizador o português José de Seixas Magalhães, um rico e moderno empreendedor que fabricava e comercializava malas e objetos de viagem, na Rua Gonçalves Dias, no centro da cidade e que já utilizava a máquina a vapor em suas fábricas. Além disto, Seixas investia também em terrenos na zona sul, tendo adquirido uma Chácara no Leblon com a cumplicidade dos principais abolicionistas da Capital do Império, muitos deles membros proeminentes da Confederação Abolicionista. Nesta chácara ele cultivava flores com o auxílio de escravos fugidos, formando o Quilombo do Leblon, um quilombo simbólico feito para objetos simbólicos - nele se cultivavam camélias - cujo uso passou a simbolizar a simpatia ao Movimento Abolicionista.

Na época o Leblon era quase no fim do mundo e para nele se chegar era necessário uma longa viagem que tinha início na Rua do Ouvidor esquina com a Rua Gonçalves Dias, que hoje não mais se cruzam, onde se embarcava no bonde da Companhia Ferro-Carril do Jardim Botânico. Nele se viajava até chegar ao longínquo Largo das Três Vendas, que ficava ao final da Rua Jardim Botânico, na Freguesia da Gávea. A partir daí a viagem era feita a pé.

Quem procurava a área mais movimentada seguia pela Rua Marquês de São Vicente, mas quem buscava o Quilombo seguia outra direção, quase despovoada na época, onde existiam alguns poucos sítios e chácaras. Entrando na Rua do Sapé, hoje Rua Bartolomeu Mitre seguia penetrando numa paisagem cada vez mais rural, até chegar ao Largo da Memória, que mantém seu nome ainda hoje. Nele podia se escolher dois caminhos: o primeiro seguia pela Rua Conde de Bernadote e levava à Praia do Pinto na Lagoa Rodrigo de Freitas, perto de onde hoje se encontra o Clube de Regatas do Flamengo, o segundo levava ao Quilombo do Leblon.

Para isto se pegava a Rua do Pau, hoje Rua Dias Ferreira e se ia em frente observando ao longe a Pedra dos Dois Irmãos como guia, atravessava o canal da Avenida Visconde de Albuquerque que ainda não existia, em frente à atual Rua Igarapava, que naquela época ainda era a Rua do Pau. Seguindo a Rua Igarapava, onde hoje se penetra em um Bairro de classe média alta, já se estava pisando no Quilombo do Leblon, que tinha como trilha de acesso a ladeira desta rua. A casa principal do Quilombo ficava onde hoje se situa o Clube Campestre da Guanabara. O ponto tinha uma localização estratégica oferecendo o necessário isolamento e grande proteção natural. O Quilombo se estendia desde a atual Rua Timóteo da Costa e para dentro até a Pedra dos Dois Irmãos.

As camélias cultivadas no Quilombo do Leblon se tornariam símbolo do movimento e se destacavam nos vestidos de muitas senhoras da Corte, incluindo a própria Princesa Isabel e nos ramalhetes de camélias com os quais se presenteavam as pessoas. Enfeitavam também os jardins das casas, para identificar seus dono como abolicionistas e foram as camélias do jardim da Casa de Rui Barbosa no Rio de Janeiro que motivaram as pesquisas de Eduardo Silva, que foi responsável pelo Setor de História da Fundação Casa de Rui Barbosa e que escreveu o magnífico livro: As Camélias do Leblon e a Abolição da Escravatura - Uma Investigação da História Cultural, que conta a existência deste capítulo importante da história deste Bairro, hoje um dos mais importantes da cidade do Rio de Janeiro.


Rua Bartolomeu Mitre, antiga Rua do Sapé


Praça da Memória, no trajeto pela Rua do Sapé





Praça da Memória.


Rua Conde Bernadote, caminho que levava à Lagoa
Rodrigo de Freitas.

Rua Dias Ferreira, antiga Rua do Pau, que se seguia para ir ao Quilombo do Leblon







Praça Paulo Mendes Campos, no trajeto da Rua Dias Ferreira.

Rua transversal à Rua Dias Ferreira.

Edifício Antuérpia na esquina da Rua Dias Fereira com
a Rua Ataulfo de Paiva.


Travessia do Canal da Rua Visconde de Albuquerque,
que na época não existia, em frente à Rua Igarapava.

Rua Igarapava e Ladeira do Igarapava, que era ainda a Rua do Pau e que nesta parte já
ficava no Quilombo do Leblon
.






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