LEOPOLDINA



História da Leopoldina

O desenvolvimento dos subúrbios cariocas aconteceu em virtude do avanço dos transportes, em especial o ferroviário, no Rio de Janeiro. Duas Estradas de Ferro foram importantes neste desenvolvimento, durante o Século XIX: a Estrada de Ferro D. Pedro II, que interligou Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, regiões produtoras de café ao litoral, onde o produto era escoado e a Estrada de Ferro do Norte cuja concessão foi dada em 1882 a Alípio Luiz Pereira da Silva para construir uma Estrada que ligasse São Francisco Xavier à Raiz da Serra da Estrêla no entroncamento com a Estrada de Ferro Mauá.

Para explorar a Concessão foi criada a Companhia Estrada de Ferro do Norte, mas somente em 1886 foi inaugurada sua primeira seção ligando São Francico Xavier até o Rio Meriti com 14 Km de extensão até o limite entre o Distrito Federal e o Estado do Rio de Janeiro. O surgimento da Estrada de Ferro foi um fator de desenvolvimento dos primeiros núcleos urbanos da região que se localizaram em Bonsucesso, Ramos, Olaria, Penha, Braz de Pina e alguns outros.

Apesar de representar um fator de desenvolvimento a Estrada de Ferro foi sempre deficitária e em 1998 foi absorvida pela The Leopoldina Railway Company Ltd. e foi o nome da Companhia que batizou toda esta área dos subúrbios de Leopoldina. Atualmente a Estrada de Ferro Leopoldina foi desativada e absorvida pela Estrada de Ferro Central do Brasil que gerencia todos os ramais de trem do Rio de Janeiro como SUPERVIA.

Os subúrbios da Leopoldina tem seu passado envolto em histórias e lendas que fizeram parte da formação de grande parte da população de média e baixa renda do Rio de Janeiro. A contrução da Avenida Brasil, trouxe um crescimento rápido à região, mas bastante desordenado. Na segunda metade do Século XX esses locais sofreram com um alto índice de favelização que cercou todos os Bairros e que depois vieram a se tornar grandes Complexos que viraram Bairros como o do Complexo do Alemão, o da Maré e o da Cidade Alta, deteriorando a condição de vida das populações existentes, solapando território dos Bairros e tornando a região refém de tráfico e da bandidagem.

Atualmente com a implantação das Unidades de Polícia Pacificadora - UPP, parecia que a região poderia ser de fato pacificada, mas o decorrer do tempo está mostrando que o problema é bem mais difícil de solucionar e ainda não se tem em vista como este processo deverá ter continuidade.



Duas vistas gerais dos subúrbios da Leopoldina, tiradas da Ilha do Fundão. A primeira uma ampla vista abrangendo de Bonsucesso até o penhasco em que se encontra a Igreja da Penha, podendo se observar toda a extensão do Complexo do Alemão ao fundo e o Complexo da Maré, mais próximo da llha. A segunda uma aproximação dando mais detalhe à região da Maré e da Praia de Ramos e apresentado uma parte do Complexo do Alemão, mais ao fundo.

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Bairro de Bonsucesso

Antes da colonização portuguesa, as áreas próximas às margens do Rio Timbó eram habitadas pelos índios Tamoios, o nome do rio foi dado em função do cipó "timbó", utilizado para envenenar a água e facilitar a pesca. Muito após o extermínio dos Tamoios, os jesuítas se estabeleceram na região dando origem à Sesmaria de Inhaúma e seus engenhos. Expulsos os jesuítas, em 1760, suas terras foram desmembradas em várias fazendas que deram origem aos atuais bairros de Bonsucesso e Ramos, entre outros.

O nome "Bonsucesso" foi dado em homenagem a D. Cecília Vieira de Bonsucesso, proprietária da Fazenda do Engenho da Pedra ou de terras dela desmembradas, que em meados do Século XVIII, reformou uma pequena capela de Santo Antônio que desapareceu na década de 1940 quando da abertura do acesso à Ilha do Fundão.

A acesso a estas terras se fazia pela Estrada da Penha e em 1886, Bonsucesso e Ramos foram a primeira e a segunda Estação da Estrada de Ferro Norte, que depois passou a chamar-se Estrada de Ferro Leopoldina.

A partir da década de 1910, o Engenheiro Guilherme Maxwell urbanizou e loteou enormes glebas do Engenho da Pedra, criando um novo bairro a Cidade dos Aliados, formada da Praça das Nações e das Avenidas Londres, Paris, Nova York, Bruxelas e Roma. Do lado oposto, o também Engenheiro Paulo de Frontin abriu as Ruas Clemenceau, Saint Hilaire, Humboldt, entre outras, consolidando o Bairro como Bonsucesso.

Hoje a Praça das Nações ainda se mantêm como um ponto importante para a caracterização do Bairro, que pode ser considerado um dos mais importantes da região da Leopoldina. Nela existe um Chafariz construído em 1908 no Centenário da Abertura dos Portos às Naçoes Amigas e o Monumento aos Expedicionários da Segunda Guerra Mundial.

A antiga Praça de Bonsucesso hoje se chama Praça Alvaro da Costa Melo, que construiu diversos edifícios da região durante as décadas de 1960 e 1970. A praça fica localizada no cruzamento entre as Ruas Cardoso de Moraes com Bonsucesso e Teixeira de Castro.

Na parte mais interna do Bairro, a ocupação da Serra da Misericórdia também ocorreu no início do século XIX, com Francisco José Ferreira Rego. Por ocasião de sua morte, os herdeiros venderam as terras para Joaquim Leandro da Motta. Esse, por sua vez, dividiu sua propriedade em grandes lotes, vendendo um deles para Leonard Kacsmarkiewiez, polonês refugiado da Primeira Guerra Mundial, que ficou conhecido pelo apelido de "Alemão", nome depois dado ao morro que lhe pertencia. Em 1928, Leonard “Alemão” promoveu o primeiro loteamento de suas terras, na área das atuais comunidades Joaquim de Queiroz e Grota, que tiveram ocupação dispersa até meados da década de 1950.

A partir da década de 1940, iniciou-se a ocupação das áreas das atuais comunidades de Nova Brasília e Itararé. Na década de 1950, a ocupação se ampliou e surgiram as comunidades dos Morros do Alemão, da Esperança, dos Mineiros e do Relicário. Em 1961, foi ocupado o Morro da Baiana e a partir dos anos de 1970, surgiram a Fazendinha, o Reservatório de Ramos e em 1982, o Parque Alvorada - Cruzeiro.

No final da década de 1980, as treze favelas que ocupavam o leste da Serra da Misericórdia e suas adjacências passaram a formar a XIX Região Administrativa Complexo do Alemão, que possui 437.880 m2 e ocupa espaço que antes pertencia aos Bairros de Olaria, Ramos, Bonsucesso, Inhaúma e Higienópolis. Em 1994 outra parte do Bairro foi perdida para o Bairro da Maré.

Em Bonsucesso, foi contruída a Principal Estação do Teleférico do Complexo do Alemão que é integrada aos trens da SUPERVIA. O Teleférico possui outras Estações como: Adeus, Alemão; Baiana; Itararé e Palmeiras.


Teleférico Integrado do Complexo do Alemão

O mapa ao lado mostra as linhas e estações que compõem o Teleférico do Alemão, que ainda não está totalmente concluído. Ele é formado por duas linhas: a do Complexo do Alemão propriamente dita e a do Complexo da Penha, ambos formando um único conjunto.

A primeira linha é formada de sete Estações: Bonsucesso, estação integrada com a Supervia; Morro do Adeus; Morro do Alemão; Morro da Baiana; Fazenda; Alvorada e o Parque da Misericórdia, estação de integração com a segunda linha. Esta é formada de seis estações: Parque da Misericórdia; Comunidade Caracol; Vila Cruzeiro; Igreja da Penha e Parque Shangai.

O mapa foi copiado do site www.skyscropercity.com com referência a http://odia.terra.com.br/rio/htm/folego_para_
o_rio_2009_209553.asp.



Acima duas vistas de Bonsucesso, tiradas da Ilha do Fundão. A primeira uma vista com o Complexo da Maré em primeiro plano e o
Complexo do Alemão ao fundo, vendo-se três Estações do Teleférico. A segunda um detalhe Morro do Adeus, tendo no topo a Estação
Teleférico - Adeus. Abaixo, a primeira foto mostra a ponte de saída da Ilha do Fundão que dá acesso a Avenida Brasil e à Linha
Amarela, tendo ao redor o Complexo da Maré e a segunda tirada da Linha Amarela tendo ao fundo a Estação do Teleférico - Adeus.






As duas fotos acima mostram o Morro do Adeus e a Estação do Teleférico tiradas da Linha Amarela. A primeira ao lado, tirada do Rua Uranos, mostra a Estação de Integração do Teleférico com a Estação Ferroviária da Supervia, a segunda ao lado e a foto abaixo mostram a cabine do Teleférico saindo da Estação de Bonsucesso.




Vista de uma Rua de Bonsucesso tirada da
Linha Amarela.

Vista de barracos da Favela Faria Timbó tirada da Linha
Amarela, ao fundo a Estação do Teleférico.
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Bairro de Ramos

A Fazenda do Engenho da Pedra, com o tempo passou a ser a Fazenda N.S. de Bonsucesso, dentro da Sesmaria de Inhaúma. Ainda no século XVII, foram abertas as Estradas Velha do Engenho da Pedra e a Estrada Nova do Engenho da Pedra, atual Av.Teixeira de Castro, que davam acesso à região. Existiam outros caminhos que se comunicavam com o litoral, onde chegavam ao "Cais de Pedra", uma enorme pedra junto a Praia do Apicú atual Praia de Ramos.

A Fazenda de N.S. de Bonsucesso com o tempo passou a pertencer a Dona Leonor Mascarenhas de Oliveira, que, em meados do século XIX, deixou 13 lotes, em testamento, para serem divididos entre parentes e amigos. O Dr. João Torquato de Oliveira herdou a fazenda-sede, região dos atuais núcleos de Bonsucesso e Ramos. Em 1870, sua viúva, Francisca Hayden, vendeu ao Capitão Luiz José Fonseca Ramos terras que abrangiam o Sítio dos Bambus.

Em 1886, a Estrada de Ferro atingiu as terras do Capitão José Fonseca Ramos, que cedeu parte de seus domínios para a Companhia Ferroviária construir uma parada com a condição que a mesma recebesse seu nome, surgiu então a Parada de Ramos. A área começou a desenvolver-se ao redor da Parada, surgindo ruas e casarões e seu nome acabou nomeando o Bairro que surgiu no local posteriormente. Anos depois o português Teixeira Ribeiro e seu filho lotearam terras, abrindo as ruas Uranos, Professor Lacê, Euclides Faria, Aureliano Lessa.

Um personagem muito importante para o desenvolvimento de Ramos, e da Leopoldina, foi o caixeiro-viajante João José Batista, popularmente conhecido como "Andorinha". Essa personagem acumulou riquezas com o seu ofício e empregou seu dinheiro na compra de terrenos e contrução de belas casas onde sempre deixava sua marca registrada: fachadas adornadas com duas andorinhas, muitas das quais podem ser encontradas até hoje pelo bairro. A primeira mansão de Ramos foi construída para ser sua residência e hoje abriga o SESC Ramos.

O Bairro tem um importante clube social: o Social Ramos Clube, freqüentado pelas famílias tradicionais da região e tem também duas importantes instituições do Carnaval carioca: e a Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense fundada em 1938, e o Bloco Cacique de Ramos criado em 1961.

O Bairro possui importantes igrejas como a principal e mais antiga igreja do bairro, construída em 1923, em cima do Morro da Bela Vista, a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, que oferece uma vista de todos os Subúrbios da Leopoldina, e também a Igreja Nossa Senhora das Mercês, erguida em 1933 e a Igreja Presbiteriana de Ramos, de 1922.



As fotos tiradas da Avenida Brasil mostram o arco que atravessa a Avenida fazendo a sustentação da Transcarioca em seu acesso
à Ilha do Fundão.




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Bairro de Olaria

Duas famílias foram pioneiras no desenvolvimento de Olaria: a dos Rego e a dos Nunes. Em 1820, Francisco José Pereira Rego comprou terras entre o Caminho da Matriz atual Caminho do Itararé até o Morro da Penha para instalar olarias, aproveitando os terrenos de barro vermelho. Outras fábricas de tijolos surgiram fazendo com que o local ficasse conhecido como "Região das Olarias". Por volta de 1900, era grande proprietário na região João Gualberto Nabor do Rego - o Noca, que abriu várias ruas com nomes de sua família, como a Leopoldina Rego, a Antonio Rego, a João Rego e a Major Rego.

Já Custódio Nunes conseguiu permissão da Prefeitura, em 1892, para um abatedouro de bois que, em sociedade com Quincas Leandro, daria origem ao Matadouro da Penha em 1910, cujo campo de boiada era chamado de "Invernada de Olaria" que na década de 1960 e 1970 tornou-se a Segunda Subseção de Vigilância da Polícia e passou a figurar com certa frequência nas páginas policiais. Custódio Nunes abriu também diversas ruas: Filomena Nunes, Dr. Nunes, Carlina, Noêmia Nunes.

Embora a Estrada de Ferro já passasse pelo Bairro a Estação Pedro Ernesto, nome da estação local, somente foi construída em 1917. A principal Igreja do Bairro é a Igreja de São Geraldo.

Em 1915, foi criado o Olaria Football Club, depois Olaria Atlético Clube, que foi fundado devido ao Matadouro para que seus empregados pudessem disputar pequenos campeonatos de futebol, mas acabou dando origem a um importante time profissional. Ainda hoje sua sede, contruída em 1925, na Rua Bariri, possui uma impecável infraestrutura que inclui ginásio coberto, churrasqueiras e o estádio com capacidade para nove mil pessoas, que foi construído em 1947.



A primeira foto mostra uma vista de prédios no Bairro de Olaria, a segunda mostra a Estação da Transcarioca do Bairro.

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Bairro da Penha

A primeira capela em louvor a Nossa Senhora da Penha foi erguida em Vila Velha, antiga capitania do Espírito Santo, entre 1558 e 1570. A segunda surgiu no Rio de Janeiro após a fundação da Fazenda de Nossa Senhora da Ajuda, de propriedade do Capitão português Baltazar de Abreu Cardoso, na Freguesia de Irajá. Por volta do ano de 1635, o Capitão Baltazar, ao ser atacado por uma cobra, pediu auxilio à Nossa Senhora. Agradecido por ter se livrado do perigo, Baltazar construiu uma pequena capela, em um morro próximo de sua Fazenda e nela colocou uma imagem de Nossa Senhora da Penha. Se antes o Capitão Baltazar subia um penhasco para ver as suas plantações, a partir daí, passou a subir, também, para agradecer e rezar.

Logo, a pequena capela passou a ser visitada por pessoas que passavam e subiam o penhasco para pedir e agradecer graças alcançadas. A devoção a Nossa Senhora da Penha foi se espalhando e cada vez era maior o número de pessoas que visitavam o lugar. O capitão Baltazar doou todas as suas propriedades a Nossa Senhora da Penha. Para administrar o patrimônio foi criada, em 1728, a Venerável Irmandade de Nossa Senhora da Penha que demoliu a primeira capela e construiu outra maior no seu lugar, com uma torre com dois pequenos sinos.

Em 1870, a capela foi substituída por um novo templo com uma torre e novos sinos. Entre 1903 e 1906 o templo ganhou a aparência que ainda hoje possui, foram construídas duas novas torres e o acesso ao templo foi ampliado para uma escadaria talhada na pedra, com 382 degraus, que vencem 111 metros de altura. Em 1925 a Igreja recebeu um carrilhão, com 25 sinos, de origem portuguesa, adquiridos na Exposição Nacional do 1o Centenário da Independência do Brasil.

A Penha custou a receber uma Estação da Estrada de Ferro, mas no início século XX, recebeu o bonde elétrico, o tradicional Bonde Penha, que fazia ponto na Rua dos Romeiros e atravessava os subúrbios indo até o centro da cidade, no Largo de São Francisco. O trem e o bonde contribuíram muito para o crescimento do Bairro.

A região praieira da Penha, próxima aos mangues do Saco do Viegas, era chamada de "MARIANGU", nome indígena de uma ave abundante no litoral da Baía de Guanabara. Nela surgiu o "Porto de Maria Angu", do qual partiam embarcações para o centro do Rio de Janeiro colonial. No início do século XX, o Prefeito Pereira Passos instalou no Porto de "Maria Angu", uma ponte para as barcas da Cantareira atracarem, ligando a Penha à Praça XV, com conexão para a Ilha do Governador. Os grandes aterros que foram realizados nesta área fizeram desaparecer toda a orla marítima do Bairro, no lugar, foi aberta, em 1946, a Avenida Brasil e foi construído um conjunto de prédios onde funcionam órgãos da Marinha.

Muitos dos primeiros habitantes da Penha eram trabalhodores do Cortume Carioca, que na década de 1920 era o mais importante do país e ocupava uma imensa área do Bairro. O Cortume foi desativado e o lugar onde funcionava o estabelecimento encontra-se totalmente abandonado e até é possivel observar de longe suas ruínas.



A primeira foto mostra uma vista do Bairro da Penha tirada da Ilha do Fundão, com destaque para o penhasco sobre o qual se ergue a Igreja. As demais fotos foram tiradas em diferentes pontos da Avenida Brás de Pina e todas mostram a Igreja de Nossa Senhora da Penha. A segunda foto abaixo mostra a Estação da Transcarioca no Bairro.







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Bairro de Brás de Pina

A região que atualmente conhecemos por Brás de Pina, herdou este nome de um contratador de pesca de baleias que vivia na região, no século XVIII e mantinha um engenho de açúcar e aguardente. Este senhor construiu o Cais dos Mineiros, no centro do Rio de Janeiro, para escoamento de açúcar e de óleo de baleia, usado na iluminação pública. As terras da sua fazenda alcançavam a orla da Baía de Guanabara, através da estrada do Porto de Irajá, atual Avenida Antenor Navarro.

Suas terras com o tempo tornaram-se grandes fazendas das famílias tradicionais: Gama, Enes e Lobos no início do século XX. Outra grande parte das terras foi adquirida pela Companhia Imobiliária Kosmos, numa época em que o Rio de Janeiro passava por modificações urbanas e a companhia Imobiliária loteou, planejou, difundiu e construiu um bairro modelo, que chamou de Vila Guanabara, hoje conhecido como Brás de Pina. Em 5 de setembro de 1910, foi inaugurada a Estação de Brás de Pina, da Estrada de Ferro Leopoldina, que deu grande impulso ao bairro.

Foram construídas casas em estilo néo-colonial de diversos preços no conjunto de glebas, com ruas arborizadas. Guilherme Guinle, engenheiro e um dos pioneiros do empreendedorismo brasileiro, presidente da Companhia Kosmos e dono das terras, doou uma área do bairro à Mitra Episcopal do Rio de Janeiro para a construção de uma Igreja, que devido a sua devoção foi consagrada a Santa Cecília e inaugurada em 1929. A construção da igreja possibilitou ao bairro uma assistência religiosa, e foi mais um dos atrativos para a vinda de moradores.



Vista do Bairro de Brás de Pina, ambas tiradas da Igreja de Santa Cecília. A primeira dos anos de 1960 e a segunda de 2014.



As duas fotos acima mostram a Escola São Paulo, escola pública onde estudou e lecionou a responsável pelo site. As duas fotos abaixo mostra duas casas onde ela residiu quando criança.



Paróquia de Santa Cecília de Brás de Pina

A Igreja de Santa Cecília foi inaugurada em 22 de novembro de 1929, dia consagrado á Santa, Padroeira da Música. Foi construída em uma colina que permite que ela se destaque no centro do Bairro, com arquitetura em estilo Neo-renascentista. Seu vigário interino foi o Cônego Brito, que se incumbiu temporariamente de implantar e de cuidar dos afazeres religiosos da nova igreja.

Somente em 1930 Santa Cecília receberia seu primeiro pároco: Pe. Reinaldo Brito, que ficou na paróquia por aproximadamente dezesseis anos. Por volta de 1946 o segundo pároco Wilson da Costa Veiga, iniciou seu trabalho e deixou muitos frutos para a paróquia. Foi ele quem batizou a responsável por este site assim como seus dois irmãos. Aumentou o número de associações religiosas, ao fundar: a "Obra das Vocações Sacerdotais"; a "Propagação da Fé"; a "Cruzada Eucarística" e outras.

Padre Wilson construiu o primeiro salão paroquial de Santa Cecília, que posteriormente ganhou forma de teatro, onde também funcionava um cinema e eram realizadas as obras sociais. Atualmente este espaço ainda pode ser visto próximo da Igreja. Padre Wilson permaneceu como pároco de Santa Cecília por aproximadamente quinze anos e saiu por problemas de saúde.

O terceiro pároco, Padre Arthur da Costa Pereira pouco se sabe sobre ele, pois já era um senhor e ficou apenas um ano e meio como pároco devido a problemas de saúde, mas inaugurou a Gruta cuja construção havia sido iniciada pelo Pe. Wilson. O quarto pároco foi Padre Hélio de Lima Guimarães, capelão militar da segunda guerra mundial, era um fiel mantenedor da ordem em um tempo em que a igreja não possuía cercas e era muito exposta. Este fundou o primeiro regimento musical da Igreja, que era padroeira dos músicos, a Banda Lira de Santa Cecília que abrilhantava as festas da Igreja, principalmente os festejos do dia de Santa Cecília que sempre foi o ponto alto das comemorações do Bairro, sua existência durou enquanto o Padre esteve na Igreja.

Padre Hélio sempre se preocupava muito em fazer com que os fiéis fossem frequentadores assíduos da Igreja e procurava fazer com que todas as solenidades fossem sempre altamente concorridas. Propiciou grandes romarias para: Petrópolis, Teresópolis, Juiz de Fora, Aparecida, Valença e outras. A Igreja possuía um grupo de quadrilha que abrilhantava as festas juninas e participava de concursos em outras Igrejas da Leopoldina e chegou a dançar no Maracanãzinho, a responsável pelo site dançou nesta quadrilha por doze anos. Com Padre Hélio o teatro da Igreja funcionava intensamente. Deste modo, nesta época, a Igreja era muito ativa e conhecida pela por suas atividades, suas festas, romarias e pelo Teatro.



As quatro fotos mostram as instalações do atual Centro Paroquial da Igreja de Santa Cecília que fica em frente à mesma, na sua parte baixa. Até 1964 neste prédio funcionavam os Transmissores da Rádio Mayrink Veiga, que foi fechada neste ano.




As demais fotos são da Igreja em diversos ângulos, com sua Gruta de Nossa Senhora de Lourdes e a escadaria que lhe dá acesso, existe também uma rampa na parte lateral direita. A primeira foto foi tirada durante os anos de 1960, a foto da imagem da Santa foi tirada nos anos de 1970. Antes de ser colocada neste local a imagem ficava no centro do altar-mor, bem no alto, o que era uma vista muito bonita para quem entrava na Igreja, não posso dizer o ano em que isto foi modificado.










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Bairro de Cordovil

No Século XVII, as terras da região pertenciam ao provedor da Fazenda Real, Bartolomeu de Siqueira Cordovil que, posteriormente, as passou para o seu filho, Francisco Cordovil de Siqueira e Mello. O Engenho dos Cordovil possuía extensos canaviais que se espalhavam pela planície em direção a Irajá. Posteriormente, a antiga propriedade foi loteada. Nela passava a estrada do Porto Velho de Irajá, prolongamento do Quitungo e depois a primeira estrada Rio-Petrópolis, correspondendo às Ruas Itabira e Bulhões Marcial.

A Estação Cordovil da Estrada de Ferro foi inaugurada em 1910. Com a abertura da Avenida Brasil, em 1946, foi implantado o Trevo das Missões que deu acesso à nova Rodovia Washington Luiz ligando o Rio a Petrópolis. Suas terras abrangiam a Ponta do Lagarto e a Ilha do Saravatá, aterradas na década de 1980/1990, que foram cortadas pela "Linha Vermelha".

Em 1969, foi construído o conjunto habitacional Cidade Alta, para abrigar moradores removidos da Favela Praia do Pinto da Lagoa Rodrigo de Freitas. No seu entorno surgiram novas favelas, como Divinéia, Cambuci, Pica-Pau, Serra Pelada e Chega Mais, que formam o chamado "Complexo da Cidade Alta".

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Outros Bairros

O Bairro de Parada de Lucas tem seu nome devido a José Lucas de Almeida, um próspero agricultor, com lavoura entre Cordovil e Vigário Geral, que morreu aos 94 anos de idade. Nas suas terras, quando da implantação da Estrada de Ferro Leopoldina, José Lucas doou local para uma parada de trens, que, em 1949, tornou-se a Estação Parada de Lucas. Naquela época, só existia um lugar onde obter água potável: eram as "três bicas", e os moradores atravessavam a Avenida Brasil para utilizá-las.

No governo Washington Luiz, o bairro foi cruzado pela antiga estrada Rio-Petrópolis, correspondendo à atual Rua Bulhões Marcial. Ao longo da Avenida Brasil, construída em 1946, foram instaladas indústrias, como o Parque Gráfico da antiga Editora Bloch, e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. No bairro fica a Paróquia de São Sebastião de Parada de Lucas, originada de uma capelinha de madeira erguida em 1937 e que seria substituída, em 1940, por uma capela de alvenaria, que teve, mais tarde em 1958, o acréscimo de uma Torre do Campanário.




Acesso ás Páginas da História do Rio de Janeiro
| A Descoberta | Os Franceses no Rio | Villegagnon - A França Antártica | São Sebastião do Rio de Janeiro - Uma Fundação em Etapas |
| O Rio no Final do Século XVI | O Século XVII | O Século XVIII | D. João VI no Rio | Os Impérios | A República |

Acesso ás Páginas de Encantos do Rio de Janeiro
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