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A REPÚBLICA VELHA - 1889-1930



"Em tais condições imaginar que só a República tem raízes, ou que ela as lançou em uma camada mais profunda do que a Monarquia, do que a religião, do que a família, do que a propriedade parece a inversão de toda a ciência social. É preciso não esquecer o modo como ela se fundou. O general Deodoro não foi senão um Caramuru. Assim como Diogo Álvares se fez quase adorar pelos indígenas disparando uma espingarda, ele fez aclamar a República no Campo de Santana dando um salva de 21 tiros. O povo de 15 de novembro, que não conhecia a linguagem política da artilharia, é o mesmo gentio do Descobrimento que não conhecia a detonação da pólvora".(1)


O Rio de Janeiro dos dez primeiros anos da República teve a fase mais turbulenta de sua existência. Grandes transformações de natureza econômica, social, política e cultural, que de longa data já vinham sendo formadas, se precipitaram com a mudança do Regime Político e se desencadearam em agitação crescente, que só cedeu ao final da década. O Rio de Janeiro tornou-se um catalisador das crises que, não importa onde ocorressem, desaguavam sempre na Capital.

A mais importante cidade do Brasil, não poderia deixar de refletir, em mais alto grau do que todas as outras, as mudanças que foram fermentadas durante os últimos dias do Império e que culminaram na Abolição da Escravidão e na Proclamação da República. De formas diversas, mais intensas ou menos intensas, grande parte da população foi pela primeira vez envolvida nos problemas pelos quais passou a cidade e o país. A consciência adquirida e as conseqüências geradas, antes das mudanças quantitativas, caracterizaram o Rio de Janeiro da primeira década da República de forma profunda.

A República que mobilizou grande número de pessoas e meios de comunicação no período final do Regime Imperial e que na voz de seus propagandistas se apresentou como um Regime que permitiria a participação do povo na política na mais firme tradição da Revolução Francesa de 1789, terminou por ser proclamada sem a iniciativa popular, mas em seus primórdios despertou na população que se considerava excluída pelo Regime anterior certo entusiasmo, mas isto logo se transformou em frustração porque a República não correspondeu.

Todos os descaminhos da política e da economia brasileiros se materializaram nos primeiros anos da República: escândalos financeiros, arrocho salarial, clientelismo, aumento de impostos, regime oligárquico, coronelismo, repressão aos movimentos populares, desvios de verbas, impunidade, fraude eleitoral, fechamento do Congresso, estado de sítio, crimes políticos, confronto entre Governos civil e militar. Houve de tudo na 1a República.

Não foram apenas as atribulações do Governo Central, o país se viu ainda sacudido por duas das maiores Guerras Civis de sua História: A Revolução Federalista de 1893 e a Guerra em Canudos, nos sertões da Bahia, entre 1896 e 1897, que chegou a ser conhecida como a "Guerra do fim do mundo". O Brasil ingressou no século XX da forma mais turbulenta possível.

No Governo de Deodoro da Fonseca ficou clara a existência de conflito entre a elite civil, favorável ao Governo Federalista e descentralizado e os militares. Floriano Peixoto apesar de ser favorável à centralização foi apoiado pelos republicanos paulistas que queriam a divisão dos militares e com isto derrubar Deodoro da Fonseca. Floriano Peixoto governou inconstitucionalmente entre 1891 e 1894.

Os republicanos civis também estavam divididos e os jacobinos, representados pela classe média nacionalista, apoiavam Floriano, mas com a passagem do Governo aos civis foram os cafeicultores paulistas que assumiram o poder deixando a Nação de novo, sob o comando dos cafeicultores, da mesma maneira que nos tempos da Colônia e do Império.

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Relação dos Presidentes do Brasil na República Velha - 1889 a 1930

Marechal Manuel Deodoro da Fonseca - 1889-1891 - AL Marechal Floriano Vieira Peixoto - 1891-1894 - AL Prudente José de Morais Barros - 1894-1898 - SP Manuel Ferraz de Campo Sales - 1898-1902 - SP Francisco de Paula Rodrigues Alves - 1902-1906 - SP Afonso Augusto Moreira Pena - 1906-1909 - MG Nilo Peçanha - 1909-1910 - RJ
Marechal Hermes Rodrigues da Fonseca - 1910-1914 - RGS Venceslau Brás Pereira Gomes - 1914-1918 - MG Delfim Moreira da Costa Ribeiro - 1918-1919 - MG Epitácio da Silva Pessoa - 1919-1922 - PB Artur da Silva Bernardes - 1922-1926 - MG Washington Luiz Pereira de Souza - 1926-1930 - RJ  


 

(1) - Joaquim Nabuco. O Dever dos Monarquistas apud LESSA, Renato "A Invenção da República do Brasil: Da Aventura à
Rotina" in CARVALHO, Maria Alice Resende de. A República do Catete. Organizadora. Museu da República, Rio de Janeiro,
2001, pág. 11. O texto publicado neste livro é um resumo do livro: Renato Lessa. A Invenção Republicana.


Continua na página A CONSTRUÇÃO DA REPÚBLICA - A REPÚBLICA DA ESPADA - 1889-1894
 



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